6 lugares em Paris para visitar depois da Quarentena


Durante a Quarentena encontrei nas aulas-lives sobre arte e cultura, que tenho promovido aos domingo, às 16 horas (Horário de Brasília),  no perfil Instagram @beminparis uma maneira de estar mais próxima de vocês e de continuar falando de temas que abordo durante as visitas guiadas em Paris. Também tenho feito lives extras com profissionais de outros segmentos e, vez em quando, me sobra tempo para atender a pedidos de participação em lives de outros perfis do Instagram.

Quem segue o perfil @beminparis no Instagram já me viu chamando a Quarentena de maratona, pois de fato, não tenho parado e, parte dessa movimentação acontece nas redes sociais, ferramenta imprescindível nesse momento inesperado que possibilita aproximação e troca de experiências.

Neste sábado, 25 de abril, tive o prazer de participar de uma Live à convite da Andrea Clemente, lider do Grupo Mulheres do Brasil Paris para sugerir um roteiro especial de passeios em Paris, para depois da Quarentena.

Sugeri locais arejados, com espaços vastos para circular (depois de meses fechados em casa !) incluindo pontos de interesse histórico e patrimonial. A ideia também foi sugerir locais nem sempre óbvios para o turista.

Confiram abaixo minha sugestão de roteiro e compartilhem com o maior número de apaixonados por Paris.

1. BNF Bibliothèque François Mitterrand

Quai François-Mauriac – Paris 75013 – Metrô linha 14 ou linha 6

biblioteca bnf esplanada

A Bibliothèque nationale de France (BnF), inaugurada no 13e em 1994, tem sua origem na biblioteca real, das coleções formadas pelos reis da França, distribuídas em  diferentes centros, o principal deles é a Biblioteca Richelieu (perto do Galerie Vivienne), que conserva desde os século 17, coleções reais, de livros, moedas, mapas e manuscritos.

As primeiras coleções reais foram iniciadas no século 14 no Louvre, pelo rei Carlos V, transferidas para o sítio Richelieu no século 17. Em 1994, grande parte dos arquivos da Richelieu foram transferidos para a BnF, no 13e, por iniciativa do então  Presidente, François Mitterrand. A BnF – Biblioteca Nacional da França é, por isso, também conhecida como Biblioteca François Mitterrand.

A BnF é uma das mais antigas instituições culturais da França. A BnF no 13e conserva antigos arquivos que foram transferidos da Richelieu, tem setores de pesquisa e áreas de leitura e promove exposições temporárias, colóquios, palestras, além de abrigar um complexo de cinema. 

BIBLIOTECA ON-LINE  

A BNF possui uma biblioteca digital chamada Gallica para consulta on-line gratuita, de 120 000 documentos de texto, 1 000 documentos de áudio e 110 000 imagens. Deixo aqui o acesso neste  link.

Na BNF, ACESSO GRATUITO para os Globos de Lus XIV, que foram encomendados para apresentar os conhecimentos cientίficos da época, mas também para celebrar a glόria do Rei, testemunhar sua missão « terrestre » e sua origem « celeste ». Eles são também a materialização de novas possibilidades técnicas.  Cada globo mede 4 m de diâmetro e pesa 2,3 toneladas. Artigo sobre o Globos de Lus XIV neste link.

2. Jardin des Plantes

57 rue Cuvier 75005 Paris  – Metrô linha 5 e linha 7,  REC C

O Jardin des Plantes é um dos mais antigos jardins botânicos da Europa, criado no século 17, um verdadeiro museu de plantas terapêuticas a ceu aberto.

Na entrada principal do Jardin des Plantes, podem ser vistas as estátuas de bronze dos naturalistas franceses Lamarck e Buffon, figuras históricas que contribuíram para a implantação do jardim botânico como centro de pesquisa. 

O jardim é replantado ao longo das estações do ano com uma seleção diversificada de plantas. Quem ama rosas, vai adorar visitar o roseiral com mais de 390 espécies de flores, das mais simples às variedades mais sofisticadas, como iris e peônia.

O Jardim des Plantes é, de fato, um complexo dedicado ao desenvolvimento científico, funcionando como centro de pesquisa e museu. Fazem parte desse complexo, o Museu de História Natural (foto abaixo), a Galeria de Geologia e de Minerologia, a Grande Galeria da Evolução, a Galeria de Paleontologia e de anatomia comparada, as Grandes Estufas, um zoo… enfim ! um mundo de descobertas fascinantes para adultos e crianças. Um passeio ideal para ser feito em família.

museu de historia natural Paris

O JARDIM DES PLANTES FICA PERTO da Mesquita de Paris, onde parar para tomar um chá de menta fresco e também fica perto das Arenas de Lutécia, construídas no século I, são um anfiteatro galo-romano situado em Paris. Trata-se de um complexo híbrido, de tipo “anfiteatro de palco” ou ainda “anfiteatro-teatro”, composto por um palco para espetáculos teatrais e uma arena para lutas de gladiadores e outros jogos no anfiteatro.

3. Panteão e antigo laboratório da cientista Marie-Curie

Contruído entre 1764 e 1790, o Panteão de Paris está localizado no Quartier Latin e muito perto do Jardim de Luxemburgo. 

Panteão, vem do grego pántheion, que significa “de todos os deuses”.  Na Antiguidade, os Gregos e os Romanos honravam seus deuses em templos. Hoje em dia, essa palavra designa o lugar onde são homenageados homens ilustres de um país.

Origem do Panteão da França

O rei Luís XV ordenou a construção como santuário de Santa Genoveva, padroeira de Paris, para honrar uma promessa que ele tinha feito com à Santa pela recuperação da saúde apos um período doente. Desde a Revolução francesa, o templo religioso foi então transformado em templo laico (o termo “laico” tem sua origem etimológica no grego laikós que significa “do povo”) com a vocação de homenagear grandes personalidades que marcaram a história da França.

Monumento de memória nacional

Dedicado à memória nacional, o Panteão é uma nécropole onde estão depositadas as cinzas de personalidades políticas, cientistas, filósofos, escritores e artistas. Dentre os nomes mais conhecidos estão os de Jean-Jacques Rousseau, Voltaire, Braile, Victor Hugo, o cientistas Pierre e Marie-Curie e do próprio arquiteto do Panteão, Soufflot. E ainda, os escritores André Malraux, Emile Zola e Alexandre Dumas.

Em 2018, a França prestou uma notável homenagem à Simone Veil, grande figura política do século XX, sobrevivente do Holocausto, responsável pela lei que legalizou o aborto na França, em 1975, e primeira mulher a presidir o Parlamento Europeu, de 1979 à 1982. Falecida em 30 de junho de 2017, aos 89 anos, ela se torna a quinta mulher, entre 76 homens, a integrar o rol dos “eternos” do Panteão de Paris.

Simone Veil no Panteão de Paris

Simone Veil e seu esposo Antoine Veil  que entraram para o Panteão de Paris,  em 28 de junho de 2018 / AFP PHOTO / Thomas SAMSON

Eleita para a Academia Francesa em 2010, Simone Veil já era, desde então, uma “imortal”. Mas com a transferência de seus restos mortais ao Panteão, ela se torna uma “eterna”, como são chamadas as personalidades que repousam no local. 

O pêndulo de Foucault

O pêndulo de Foucault, foi instalado pessoalmente no Panteão, em 1851 pelo cientista Léon Foucault como experiência para demonstrar a rotação  da terra em relação a um referencial e é uma das grandes curiosidades do monumento.

A dois passos do Panteão, no n° 1, rue Pierre-et-Marie-Curie, visite o Museu Marie Curie, instalado no antigo local onde funcionou o Instituto do radium. O museu dispõe de inúmeros arquivos manuscritos, fotografias e vίdeos retratando o trabalho da célebre cientista, primeira diretora do loboratόrio. No museu também foram conservados o gabinete e o laboratόrio pessoal de quίmica de Marie Curie, reconstituίdos como na época. Uma visita gratuita e emocionante nos passos dessa grande mulher dona de dois prêmios Nobel.

Marie Curie cientista Nobel

Nascida em Varsóvia em 1867, Marya Salomea Sklodowska veio estudar física e matemática em Paris. Ela casa-se com o físico francês Pierre Curie em 1895. Juntos, eles descobrem dois novos átomos, radioativos, batizados polônio e radio, e obtêm o Nobel de Física em 1903, ao lado do cientista Henri Becquerel.

Em 1906, Pierre Curie morre atropelado por um caminhão. Viúva, Marie Curie recebe em 1911, o Prêmio Nobel de Química. Única mulher no mundo a receber por duas vezes, o Nobel, ela morre em 1934.

4. Jardim de Luxemburgo

O Jardim de Luxemburgo é o mais parisiense dos jardins, movimentado o ano todo por parisienses e turistas por ter uma localização com acesso para diferentes bairros, como para Montparnasse, Odéon, Saint Germain des Près e Quartier latin. Ou seja, todos os caminhos levam ao Luxemburgo, em qualquer estação do ano, mesmo no inverno sob baixas temperaturas.

Fonte de Médicis no Jardim de Luxemburgo

A origem do Jardim de Luxemburgo foi a instalação da rainha Maria de Médicis no século 17. Maria de Médicis, viuva do rei Henrique IV, deixa a residência real no Louvre e encomenda a construção do Palácio de Luxemburgo, réplica do grandioso Palácio Pitti, de Florença, sua terra natal. O palacete de Maria de Medicis, funciona hoje como sede do Senado francês. O palacete é circundado por 23 hectares de jardins.

CURIOSIDADES DO JARDIM DE LUXEMBURGO

Além da área de recreação para crianças com brinquedos e um carrossel, dispense um momento para admirar e fotografar a Fonte de Médicis. Uma outra particularidade do jardim de Luxemburgo é a presença de vinte  estátuas em mármore branco representando  Rainhas  e Mulheres ilustres que marcaram a história da França. Certamente, você vai se deparar com estátua da rainha Maria de Médicis e agradecê-la pela iniciativa de ter criado esse lugar tão especial no coração de Paris.

Outono no Jardim de Luxemburgo

Bom, saimos do Jardim de Luxemburgo pela sortie Odéon, para chegar no nosso próximo destino. Allez ! c’est parti.

Saindo do Jardim de Luxemburgo, em direção à Odéon e Saint Germain des Près, numa caminhada deliciosa pontuada por cafés, restaurantes, floriculturas, galerias de arte e todo o charme que a Rive Gauche tem, chegamos às margens do rio Sena e paramos na Pont des Arts (aquela que ficou conhecida com a ponte dos cadeados).

5. Da Pont des Arts até a Pirâmide de Pei passando pela Cour Carrée, o pátio mais antigo do Louvre 

A Pont des Arts é a ponte metálica mais antiga de Paris, encomendada por Napoleão Bonaparte no início do século 19. Dela tem-se uma vista deslumbrante para a Ilha de la Cité e as Torres da Catedral Notre-Dame (felizmente poupadas do incêndio de abril de 2019) e também, uma vista para as fachadas antigas de Saint Germain des Près. Atravessando a Pont des Arts, entre no Louvre pela Cour carrée, literalmente traduzido como pátio quadrado. A Cour Carrée é o pátio mais antigo da contrução do Louvre, quando este ainda funcionava como sede da corte francesa.

Na Cour carrée do Louvre, admire toda a magnitude da arquitetura renascentista francesa, introduzida pelo rei Francisco I, no século 16, após seu regresso de dois anos na Itália. Contruída ao longo de 250 anos, joia do Renascimento e do classicismo francês, a Cour Carrée tem suas fachadas decoradas com estátuas em nichos, baixos-relevos, figuras alegóricas, monogramas de monarcas sobre as partes que eles contruíram, podendo ser facilmente identificados e ajudar o visitante a rastrear a história da construção.

Cour Carrée do Louvre

Edis Lima no Louvre

patio mais antigo do Louvre

Saindo da Cour Carrée pela esquerda chega-se ao lado detrás da Pirâmide do Louvre, entrada principal do museu. A vista é arrebatadora e a sensação é de uma entrada triunfal no Louvre mudando a perspectiva que em geral é vista do lado oposto, ou seja, chegando no Louvre pela frente da grande Pirâmide.

Instalação contemporânea na Pirâmide do Louvre

Admirada a Pirâmide do Louvre e seu entorno, sugiro, uma parada no Café Marly ou deixar a área do Louvre para um café mais informal, na Place Colette, parando no Café Nemours, de onde partiremos para o próximo e surpreendente local desse tour pós confinamento. Uhruuu !

6. Palais Royal e  as Colunas de Buren

Geralmente, o turista passa desapercebido da entrada do Palais Royal e é uma grande pena, pois é um dos lugares mais interessantes de Paris, do ponto de vista histórico e por fazer parte do dia-a-dia do parisiense que vive naquela região. O Palais Royal tem origem no século 17, encomendado como Palácio Cardeal, pelo Cardeal Richelieu, ministro de Luís XIII.

O Palais Royal também foi palco de manifestações que culminaram na revolução francesa e mais tarde, tornou-se um centro cultural da vida parisiense e local onde surgiram as primeiras boutiques de moda.

Sede atual do Conselho de Estado, do Conselho Constitucional e do Ministério da Cultura, o Palais Royal é ainda hoje um local de representação do poder institucional, mas não só ! o Palais Royal hoje é também um centro de compras, com lojas diferenciadas, galerias de arte, antiquários, cafés, restaurantes, enfim ! Além do jardim com alamedas onde fazer uma pausa à sombra de uma árvore ou desccansar um momento perto da fonte central, onde os parisienses adoram ficar para ler um livro ou até tirar uma soneca com a cara pro sol.

A grande atração do Palais Royal, sem sombra de dúvida, é a instalação Colunas de Buren, obra de arte do artista contemporâneo francês, Daniel Buren. O conjunto de 260 colunas em mármore de carrara e em mármore preto e branco dos Pirineus foi inaugurado em 1986.  As colunas em preto e branco dão o tom ao pátio do Palais Royal, atraindo a atenção de adultos e crianças, que adoram brincar e correr entre elas.

crianças no Palais Royal

colunas de Buren

Como a Pirâmide do Louvre, as Colunas de Buren  também foram contestadas pelos parisienses pelo contraste com a arquitetura clássica do entorno. No entanto, essa instalação trouxe grande visibilidade e frequentação ao Palais Royal, provando que o novo e o antigo podem cohabitar de forma equilibrada e trazer dinamismo para locais pouco antes visitados.

GRUPO MULHERES DO BRASIL PARIS

Voilà ! agradeço imensamente ao convite da Andrea Clemente, lider do Grupo Mulheres do Brasil, núcleo Paris para sugerir um roteiro de passeios para o pós quarentena, quando estaremos ávidos por descobrir e redescobrir nossa amada Paris.

O Grupo Mulheres do Brasil foi criado por iniciativa de Luiza Helena Trajano,  com sede em São Paulo e representações em diversos Estados brasileiros, além dos núcleos fora do país. O Grupo Mulheres do Brasil promove ações voltadas para a mulher, através de ateliês, palestras e diversas iniciativas de integração social.

Temos a sorte de contar com um núcleo do Grupo Mulheres do Brasil, em Paris e, convido vocês a acompanharem a programação de eventos on-line, nos quais vocês poderão participar de qualquer parte do mundo. Acesso fácil pelo perfil instagram @grupomulheresdobrasilparis   

Edis Lima – Guia Cultural em Paris 

Formada como Guia Conferencista Nacional na França, estou à frente da BEM IN PARIS, desde 2012, atendendo pessoalmente como Guia Cultural em visitas guiadas nos museus de Paris e passeios em cidades do interior da França. Saiba mais sobre meu perfil profissional, aqui. 

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